terça-feira, 3 de março de 2009

As cinzas antes da quarta-feira


Que o Carnaval carioca nunca foi exemplo de honestidade e imparcialidade em seus julgamentos, todo mundo já sabe. É só reparar na enormidade de títulos que a Portela teve enquanto Natal era vivo, e a discrepância de depois da sua morte.

Mas até aí tudo bem. O Rio sempre foi metido a malandro, a esperto. Sempre teve sua máfia de bicheiros por trás e sempre viveu bem assim. O problema, ao meu ver, se dá quando se perde o respeito.

A malandragem foi embora e resumiu tudo ao dinheiro puro e simples. Não há mais política, não há mais influência. Há dinheiro. Ou falta dele.

É angustiante ver a Mangueira mal acabada e maltrapilha entrando na avenida depois de estourarem os quartéis generais do tráfico em janeiro. E deprimente ver a Mocidade lutando pra não cair a cada ano, depois da morte do Castor.

Chega a ser ridículo ver a Beija-Flor, que ganhou vários carnavais duvidosos nos últimos anos perdendo pontos absurdos só porque Sr. Anísio não estava por perto. Claro, eu gostei. Acho que a maioria gostou. Mas que grande parte deles foi injusto, foi. Tá, o Lula ajudou com sua aura azarenta... Foi o Corinthians, o Vasco, agora a Beija... vejamos quem ele vai agourar na próxima vez...

Enfim, será que o respeito outrora conseguido não vale de nada? Será que os critérios cariocas deixaram de ser apenas à margem da lei pra se tornar à margem da dignadade? Estamos mesmo caminhando pro fim da humanidade... até o que sempre foi desonesto consegue piorar.

Em tempo, o Salgueiro, grande campeão deste ano não foi citado devido a minha falta de parâmetro sobre ele. Será que dona Regina seria a contramão de tudo isso que eu escrevi? Será que teria sido dado a ela , justamente a ela, esse tal ¨troféu político¨ devido a história de vida dela, e bla bla bla? Ou será que o Salgueiro apenas mereceu e todo o resto não passa de teoria conspiratória?

Vai saber...

4 comentários:

Marco Antonio Araujo disse...

Eu não sei o que se passa na cabeça nem na conta bancária desses jurados. Só consigo pensar que o mérito do Salgueiro este ano foi em grande parte do Renato Lage, que planejou um carnaval impecável. Quanto às outras sujeiras, prefiro, por ora, não saber. Deixa eu curtir um pouco o vice da Beija-Flor.

Leonardo Stravalli disse...

Como diz meu querido Jay Vaquer: "E o pior foi piorar..."

Não opino mais a fundo, pois não conheço muito do assunto...

PS: Vc tá doida?? Não falei o final do filme! Ele desencarnou após as gravações... rsrs!!!

Bom tê-la de volta!

Bjos!

o'Ricci disse...

Eu vou ser sincero com você, a única coisa que eu captei do texto foram as cores das escolas em seus respectivos nomes. Fora isso, sou o carioca mais ignorante do mundo, em relação às "maravilhas" nativas como futebol, carnaval e praia.

Pode me chamar de alienado! xD

No mais, vou te confessar que eu sinto tanta saudade da malandragem carioca, aquela clássica nostalgia por algo que nunca se viveu, que eu venho sempre tentando diblar meu trabalho.

Muitas pessoas vão te assegurar que eu tenho sido um sucesso nesse quesito =p

Carla M. disse...

Amanda, sou suspeita pra falar, tenho total simpatia pelo Salgueiro (desde aqui dos pampas, fique claro!).
Mas assim, acho que também o fato de pensar num enredo sobre o "tambor", que é o símbolo máximo do samba, de certa forma, é homenagear esse carnaval megalomâno.

Mas vai saber... tudo é possível!